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Posts Tagged ‘Fundação Findhorn’


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Escultura curiosa junto ao mar em Erraid. Fionnphort ao fundo./ Weird sculpture by the sea in Isle of Erraid. Fionnphort in the background.

Na manhã seguinte, o dono do B&B concordou em me levar antes a um local onde, na maré baixa, eu podia atravessar para a Ilha de Erraid. Queria conhecê-la, porque era a ilha das Selkies, as mulheres-foca. Tinha visto um filme sobre isso. O link se encontra abaixo.

Next morning , my landlord agreed to drive me to a place where, by ebb tide,  I could walk to Isle of Erraid. I wanted to go there because it was the Selkies’ island – seal women . I’d seen a movie about that:

“The Secret of Roan Inish” :  ( https://www.youtube.com/watch?v=oB396jHHhOU )

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Local da travessia / Crossing place

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Comunidade de Findhorn em Erraid. Fionnphort ao fundo / Findhorn Community in Erraid, Fionnphort in the background

Além disso, a ilha pertencia à Fundação Findhorn, que tinha ali uma comunidade. Eu queria conferir, talvez eles comemorassem o Solstício que se aproximava. Quem sabe eu poderia me enturmar?

Besides, the island is privately owned and is home to a community, part of the Findhorn Foundation. I was wondering whether they were going to celebrate the approaching Summer Solstice – and if I’d be welcome to join them…

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Só precisei atravessar esta faixa de areia mas devia prestar atenção à maré para atravessar de volta antes que enchesse, caso contrário, dependeria da sorte e da boa vontade de alguém em Erraid atravessar de barco e me dar carona. Na verdade isso seria formidável!/ So all I had to do was cross this stretch of sand, but I had to pay attention to cross it back before the high tide. Otherwise, I’d depend on luck and some boat owner’s good will to give me a ride. Actually, that would be amazing!

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Primeiras casas avistadas em Erraid / First houses I saw in Erraid

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Detalhe: o telhado é um barco! / Detail: the boat roof

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Após dez minutos de caminhada, cheguei à comunidade de Findhorn. Uma moça que cuidava das vacas abriu a porteira para mim. / After a ten-minute walk I arrivd at Findhorn Community headquarters. This lady, who was tending to the cows, opened the gate and let me in.

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Ela me indicou a trilha que levava a um farol no alto da ilha… / She showed me the way to this kind of lighthouse on top of the island…

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… de onde se descortinava esta bela paisagem./ … from where this gorgeous landscape unveiled.

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Pensei em descer e dar um mergulho. Mas não havia trilha, eu desconhecia o mar e as correntes, seria capaz de me afogar no meio das pedras e meu cadáver só ser encontrado dali a três dias, na melhor das hipóteses./ I considered to find a way down and take a dip. But there was no trail andnI didn’t know the sea nor the tides. So I could get drowned there and my body would only be found in three days at best.

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Companheiros de caminhada / Walking companions

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Todas estas ilhotas são inabitadas / All these small islets are uninhabited

Voltei pela trilha e fui procurar as pessoas da comunidade, que pareceram surpresas com minha presença. Perguntaram como eu havia chegado e aconselharam que retornasse pelo mesmo caminho. Antes, porém, me convidaram para tomar chá – a tradicional  polidez britânica. Estavam no intervalo de um workshop para casais GLS. Me identifiquei, disse de onde vinha e o que estava fazendo, enfim – puxei assunto, e conversando soube que ali haveria uma pequena celebração de solsticio… unicamente para os membros da comunidade e participantes dos workshops. Recomendaram que eu fosse a Stonehenge, pois não sabiam de nenhuma outra comemoração no Reino Unido.

Retracing back my steps , I met people from the Community, who were apparently surprised to see me there. They asked how I had got there and advised me to go back the same way I had come. However, I was invited for a cup of tea – traditional british politeness, as they were at tea break in a workshop for GLS couples. I presented myself, said where I was from and what I was doing there, and managed to establish a conversation. So I learned that there would actually be a little Summer Solstice party… only for Community members and workshop participants. They advised me to go to Stonehenge, because they were not aware of any other celebration in the UK.

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A Comunidade ocupa estas casas construídas originalmente para os faroleiros por volta de 1872. / The Community has taken up these cottages constructed by the Northern Lighthouse Board circa 1872

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Horta da comunidade / Comunnal garden

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Pessoas trabalhando na horta/ People working at the garden

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Estufa / the greenhouse

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Ao fim do intervalo do chá, me despedi e peguei o caminho de volta, um tanto frustrada pois havia imaginado uma acolhida mais efusiva./ After tea I said goodbye and walked away, frustrated for not having found such a warm welcome as I had expected.

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A maré continuava baixa. Não havia pressa para voltar. Então, tirei a roupa, escondi entre as pedras junto com a câmera, e fui tomar um bom banho nua. Que delícia, pensei, agora eu sou uma foca. / Tide was still low, so there was no hurry to cross back. So I undressed, hid my clothes and camera in the stones and went for a dip, naked in the sea. What a delight! “Now I am a seal”, I thought.

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A única testemunha do meu banho de mar / The only witness to my sea bath

A história das mulheres-foca é, resumidamente, a seguinte: toda noite de lua cheia, as Selkies despiam suas peles de foca, revelando mulheres belíssimas, que ficavam dançando a noite toda sobre as pedras. Um pescador acidentalmente (ou não) presenciou aquilo. Ele sabia que se escondesse a pele de uma foca, esta não poderia retornar ao mar e permaneceria mulher para sempre e ligada a ele. Então pegou uma das peles, escondeu-a e levou a mulher para casa. Casou-se com ela e tiveram filhos. A mulher-foca vivia bem, mas, com o tempo, começou a sentir falta do mar. Até que um dia encontrou sua pele escondida. Passou óleo nela para recuperar a elasticidade (pois já estava ressecada) e esperou o momento certo para vesti-la e retornar ao mar. A partir desse dia, sempre que o barco daquele pescador singrava as ondas, via-se uma foca acompanhando seu trajeto.

The seal-women tale, briefly, is this: Every full moon, the Selkies undressed their seal skins, revealing astonishing beautiful women, who would dance all night long on the stones. A fisherman, by chance (or intentionally…) saw them. He knew that if he hid one of the skins, that seal would not be able to return to the sea, would stay trapped in human shape and attached to him. So he did it. He hid one skin and took the woman home. They got married and had children. The Selkie had a good life but, after some time, started to miss the sea. Eventually she found her hidden skin, which had dried out, so she oiled it until it was soft again and waited for the right moment to dress it and return to the sea. From that day on, everytime the fisherman’s boat went out sailing, a seal could be seen swimming by her side.

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Depois do melhor e mais gelado banho de mar da minha vida, tendo libertado minha foca interior, retornei a Fionnphort andando. / So, after the best and most freezing sea bath of my life, having released my inner seal, I walked back to Fionnphort.

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Uma senhora caminhando só, como eu. / A lady walking alone, just like me

Pedi carona aos poucos carros que passaram, mas nenhum parou. Levei umas duas horas para chegar, e percebi o quanto gosto de andar sozinha no meio do nada, sob o céu que me protege. Eu e os deuses que me acompanham sempre, tanto nas roubadas em que me meto quanto nos empreendimentos que dão super certo.

I tried to hitchhike, but none of the few passing cars stopped for me. It took me a couple of hours to get back, and I realized how much I treasure these lonely walks, in the middle of nowhere, just me under the sheltering sky. Me and the Gods that are always by my side, in good times as well as in shitty ones.

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Trabalho comunitário na cozinha / Communitary work in the kitchen

Dia 9 de julho de 2005 trabalhei como voluntária na cozinha da Fundação. Como foi bom descascar ervilhas e cebolas, mexer com facas e panelas. Estava com saudade disso, e o trabalho também me valeu o delicioso almoço. No dia seguinte, eu teria de pagar para almoçar, por isso só entrei no salão de refeições para falar com os brasileiros no fim do horário de refeição. Reparei, no entanto, que não havia mais ninguém pegando os vales de quem entrava. Todos já estavam acabando de comer, sobrara bastante comida nas travessas e eu estava faminta.  Fiz um prato, sentei e comi. Felizmente, ninguém estranhou, nem tampouco veio me cobrar .

2005, July the 9th I volunteered to work in the kitchen. It felt so good to peel onions and peas, handle knives and pots, I was missing cooking, and for the work I was given (delicious!) lunch. Next day I would have to pay for my meal, but I entered the common room almost at closing time, just to talk to the other brazilians. However, nobody was there collecting lunch vouchers anymore. People were quite finished and there was still plenty of food on the buffet. Starving,  I fixed myself a plate, sat down, ate and fortunately no one appeared to make any fuss about it.

Em 2005 havia apenas um moinho para gerar energia eólica, atualmente já são quatro, que abastecem a comunidade de toda a eletricidade necessária. A energia excedente vai abastecer a rede local./
There was only one wind turbine back in 2005. Now there are four, supplying more than 100% of the community’s electricity needs.If production exceeds demand the surplus is exported to the grid.

O grupo de brasileiros me mantinha informada sobre acontecimentos e atividades. Haveria um tour guiado pela Fundação incluindo a estação de tratamento ecológico de esgoto chamado Living Machine (Máquina Viva) cuja tecnologia me interessara conhecer. Me inscrevi e paguei as duas libras cobradas pela visita. Após percorrer diversas salas de atividades e meditação, inclusive o Santuário da Natureza, chegamos ao enorme galpão. A Máquina Viva reproduz em escala intensiva o processo de depuração que ocorre normalmente na natureza. Consiste numa sequência de tanques, onde desemboca o encanamento do esgoto. Em cada tanque há um ecossistema diferente composto por bactérias, algas, micro organismos, plantas, caracóis e peixes que se alimentam da sujeira,quebrando suas moléculas . A água que resulta desse processo, depois de passar por todos os tanques, está limpa (embora não potável) podendo ser devolvida ao mar ou reutilizada para regar plantas, lavar roupa e diversas outras finalidades. Não são utilizados produtos químicos e o custo é relativamente baixo. Sensacional!

Galpão da Máquina Viva / The Living Machine greenhouse

The Brazilians were updating me on activities and events. That afternoon, a guided tour to the Foundation was scheduled and it included the Living Machine, an ecological water treatment station which technology had caught my interest. To join the group I paid a two pounds fee. After visiting the facilities, studios, and meditation rooms including the Nature Sanctuary,  we got in the Living Machine. It was a massive greenhouse containing a series of tanks where sewage arrives through pipes. “Diverse communities of bacteria, algae, micro-organisms, numerous species of plants and trees, snails, and fish interact as whole ecologies in each one of these tanks and biofilters. These mirror processes that occur in the natural world, but do so more intensively. At the end of the series of tanks, the resulting water is pure enough to discharge directly into the sea or to be recycled. The technology is not only capable of meeting tough new sewage outflow standards, but uses no chemicals, and has a relatively inexpensive capital cost attached.” (quote from Findhorn Foundation Website)
Brilliant.

Aspecto da estação de tratamento de esgoto ecológica.
That’s how an ecological sewage treatment station looks like.

Tanques interconectados numa sequência que favorece a depuração da água.
The sequence of tank interconnection favors water depuration.

Essa estação trata todo o esgoto dos 500 habitantes da Ecovila. / This station treats sewage from the population of up to 500 people living at the Findhorn Ecovillage.

Vista da Ecovila / Ecovillage landscape

Construções ecológicas: para cada duas ou até três casas da Ecovila há uma área comum de cozinha e lavanderia (nesta casa, a parte central preta), minimizando o impacto ambiental. Emprega-se material reciclado e certificado, conforme detalhado na placa da obra. / Ecological buildings: each two or even three houses in the Ecovillage share facilities (laundry, kitchens – here, the black wal lin the middle ) avoiding unnecessary duplication, minimizing ambiental impact. All supplies are recycled and certificated, as stated in the sign shown below.

A construção e manutenção de tais casas pode ser executada pelos próprios donos.
Such houses are suitable for Self Building and Maintenance.

Os moradores da Ecovila estão sempre em atividade…
Ecovillage people are always busy…

… de um jeito ou de outro.
… in one way or another.

Detalhe do teto no Santuário da Natureza.
Roof detail, inside Nature’s Sanctuary

Detalhes de arte e ecologia. Através das clarabóias a luz natural dá destaque à linda pintura. / Artistic and ecologic details: through the skylight, natural light highlights the delicate painting.

Compostagem / Composting

Bicicletas e madeira de florestas de gestão sustentável.
Bikes and locally grown and harvested timber from managed forests.

Brechó para troca de coisas e roupas usadas.
Thrift store for second hand stuff exchange.

Findhorn Foundation Website:

http://www.findhorn.org

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A Fundação Findhorn é uma comunidade espiritual, centro de ensino e ecovila cujas principais sedes são “O Parque” em Findhorn e Cluny Hill, em Forres (fotos acima). The Findhorn Foundation is a spiritual community, learning centre and ecovillage based mainly at The Park (Findhorn) and at Cluny Hill in Forres (pictures above).

Os cursos ali não eram nada baratos, todos compreendendo meditação, atividades em grupo e trabalhos comunitários na horta, cozinha e jardim. Me pareceu esquisito pagar tão caro para fazer coisas tão corriqueiras como cozinhar. Mas há muita gente que precisa aprender a se comunicar e interagir com os outros.

Estudantes fazendo trabalho comunitário / People into communitary work

The workshops were not cheap and all included meditation, group activities and communitary work in the kitchen and garden. I thought it weird people pay so much to do common stuff such as cooking, but there are many who need to learn communicating and interacting with the others.

O Centro Comunitário junto à entrada do Parque. / Community Center next to The Park entrance

Mercadinho e reservatórios de material para reciclagem junto à entrada /
Mini market and recyclable stuff bins next to the entrance

Caminhos do Parque, com casas e escritórios./
Paths in the Park, with houses and offices

Melissa me levou para copiar as fotos da passeata em Edimburgo no Centro de Informática, onde seis rapazes pilotavam Mac Minis, recém-lançados. Ela pediu para um deles fazer duas cópias e deixou-me lá para pegar os CDs quando estivessem prontos. O funcionário amarrou a cara, fez só uma e me despachou dizendo que tinha muito trabalho e não podia perder tempo com aquilo. Melissa ficou furiosa… comigo! Disse que eu devia ter insistido, e não quis aceitar o fato de que eu não tinha nenhuma autoridade para exigir nada do carinha. Sugeri que ela mesma fosse falar com ele e isso a irritou ainda mais.

To copy my pictures of the march in Edimburgh, Melissa took me to the Computers Centre where six guys were working, all in Mac Minis, that had just been released. She asked one of them to make two copies and left me there to take the CDs when they were ready. But the man was in a bad mood; made only one copy and sent me away because he had a lot of work to do and no time to waste on that. That made Melissa very angry… at me! She said I ought to have insisted and didn’t accept the fact that I had no authority to give orders to anyone there. I suggested she went back there and talked to him herself, but that only increased her rage.

Todas as construções são ecológicas, como estes alojamentos para estudantes. / All buildings are ecologic, as these lodgements for students.

Estufa para cultivo de plantas / Greenhouse

Jardins / Gardens

Casas feitas de antigos tonéis / Homes made of old barrels

Comecei a achar a moça um tanto estranha, pois no momento seguinte ela me convidou a dar uma caminhada pela Fundação, toda sorridente. Passamos por jardins, estufas, chegando por fim a uma casinha igual à dos hobbits de J. R. R. Tolkien. Era de pedra, arredondada e toda irregular, com o telhado gramado. Tratava-se de um local de orações, lindo, na mesma hora levei a câmera aos olhos. Foi quando Melissa ficou histérica. Me deu uma bronca e proibiu-me de fotografar porque iria atrapalhar a concentração das pessoas que estavam meditando lá dentro. Além disso ser absurdo, estava uma luz linda, mas o tempo poderia fechar a qualquer momento. Não se deixa uma foto para depois. Cliquei, ela surtou e abruptamente interrompeu o passeio. Apresentou-me a uns paulistas que estavam lá fazendo cursos, disse que “não podia tomar conta de mim como se fosse uma criança, porque tinha mais o que fazer”, virou as costas e sumiu. Nunca mais a vi! Chateada, fui buscar minha mochila e saí do seu trailer, deletando-a da minha vida também. Ela tinha dito que tomava remédio porque contraíra uma doença crônica na África, mas acho que seu problema era mesmo uma bipolaridade grave.

A casinha de hobbit chamada Santuário da Natureza / The hobbithole was called Nature’s Sanctuary

I realized there was something wrong with the girl, because the next moment she smiled and invited me for a walk in the Foundation whereabouts. We crossed gardens, greenhouses, and found ourselves in front of a little cottage just like J.R.R. Tolkien’s hobbit holes. It was made of stone, all round and irregularly shaped, with grass covering the roof, so cute, at once I grabbed the camera. That was when she became hysterical. She scolded me saying it was a place for prayers and I was forbidden to take pictures because that would jeopardize the meditation in progress inside the house. Besides the absurd of the statement, the light was beautiful and I knew the weather could change in a blink. One does not postpone a photograph. So I took it anyway, and she, rabid, cut the walk short roughly. Found some brazilians who were there enrolled in workshops; introduced me to them, stated that she “couldn’t take care of me as if I was a child, because she had her own work to do”, turned her back on me and left. I never saw her again! Very upset and I went for my backpack and left her trailer, deleting her of my own life as well. She had said she was on heavy medicine due to a chronic illness she had caught in Africa, but I could tell for sure her problem was a serious bipolarity.

O antigo trailer de Eileen Caddy / Eileen Caddy’s old caravan

O novo estacionamento para trailers / The new caravan park

Uma das brasileiras a que fui apresentada, Claudia, embora morasse por ali e alugasse quartos, sabendo que eu tinha muito pouco dinheiro, sugeriu que eu me instalasse no trailer da Helka, uma alemã que estava em férias. Não me custaria nada e parecia a única coisa a fazer. Ela foi fofa e me levou até o trailer, onde já havia outra hóspede, uma moça da Croácia. Estava matriculada no curso de Danças Sagradas Circulares e não saía do telefone – deve ter deixado uma conta enorme para Helka. O trailer era confortável, a não ser pela água fria que não soubemos aquecer. Provavelmente, teria de acender a lareira e esperar, mas não conseguimos e acabamos tomando banho gelado todos os dias.

O trailer de Helka onde me instalei. / Helka’s caravan, where I lodged

One of the Brazilians I had just been introduced to, Claudia, lived around there and had rooms for rental in her home. But she knew I was short of money and was so kind as to take me to a caravan where I could stay for free. It belonged to a german woman called Helka who was out for holidays. It was the best I could do. In the caravan there was another guest, a girl from Croacia, enrolled in the workshop Circular Sacred Dances. She used to spend hours on the telephone, I guess she left Helka a very high phone bill. The caravan was comfortable except for the water in the bathroom we didn’t manage to heat. For sure we had to light the fireplace and wait a while, but none of us could do it. In the end, we resigned ourselves to endure everyday’s icy shower.

Aula de Danças Circulares Sagradas / Circular Sacred Dances Class

Outro restaurante, porém aqui tudo era pago. As refeições servidas no Centro Comunitário estavam incluídas no preço dos cursos. / Another restaurant, but here one had to pay; meals served in the Communitary Center were included in the workshops fees.

Abaixo o link para o site da Fundação Findhorn. Here goes the link to Findhorn Foundation website:

http://www.findhorn.org

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Findhorn Bay

Cluny havia sido um hotel, onde trabalhavam Peter e Eileen Caddy, mais uma moça, Dorothy Maclean. Foram demitidos, mudaram-se para um trailer na pequena cidade junto à baía de Findhorn e começaram a meditar e ter contato com seres elementais. Na década de 1960, a espiritualidade dos três e sua suposta comunicação com devas (divindades da natureza) e com Deus (Eileen psicografava mensagens diárias) virou notícia. Os legumes que cresceram naquele solo considerado pobre assumiram proporções gigantescas, como a abóbora com cerca de 18 quilos. O feito foi creditado às instruções dos devas, curiosos começaram a aparecer e uma comunidade se formou.

Cluny once was a hotel, where Peter & Eileen Caddy, and Dorothy Maclean worked. They were fired and moved to a caravan in the small village by Findhorn Bay, where they started to meditate and contact elemental beings. In the 60’s word was spread about their spirituality and the supposed communication with devas (nature deities) and God himself (Eileen psychographed daily messages). The massive vegetables they grew according to devas’ directions, as 40 pounds pumpkins, in a barren sandy soil, were reported in newspapers and magazines. Curious people arose, some stood there and the place eventually became a community.

A caminho da praia / The way to the beach

Mar do Norte / North Sea

Nenhuma praia no Reino Unido tem areia, só pedrisco. Em Findhorn, são seixos brancos como os de aquário. / There’s no sand in UK beaches, only pebbles. In Findhorn, they’re white like those used in aquariums.

Em 1970, tendo evoluído para centro de educação espiritual e, posteriormente, ecovila, a comunidade foi registrada sob o nome Fundação Findhorn. Foi construído o enorme Universal Hall, teatro e salão de eventos. O hotel em Cluny Hill foi comprado e rebatizado Cluny Hill College, para sediar workshops e acomodar visitantes, Hoje superconceituada internacionalmente e conectada à ONU, a Fundação compreende “O Parque”, que se estende num raio de 80 km e acaba na praia, beijada pelo Mar do Norte. A paisagem se completa com uma baía cheia de veleiros, casas, um fish-and-chips e uma base aérea militar na vizinhança. É curioso como ao lado de lugares com caráter espiritual há sempre a presença do exército.

Os primeiros trailers, que pertenciam aos fundadores da comunidade, ainda estão lá. /
The first caravans that belonged to the community’s founders are still there

Universal Hall

In the 70’s a spiritual education center and ecovillage were stablished and the community was formally registered as a Scottish Charity under the name The Findhorn Foundation. The massive Universal Hall was built as Art Centre and Cluny Hill Hotel was purchased and renamed Cluny Hill College to be a centre for workshops and members’ accommodation. Nowadays the Foundation is internationally highly regarded and connected to ONU, comprising a 50 miles radius of land known as The Park, bordering a beach kissed by the North Sea. The landscape is framed by Findhorn Bay, with sailing boats, houses, fish-and-chips and a neighbour Air Force Military Base. It’s weird to remark the ever-present military zones in such places of spiritual nature.

Almoço ao ar livre / Lunch out in the open

Quando cheguei, procurei a administração, localizaram Melissa e ela me levou para almoçar. O tempo abriu e o povo lá fica doido quando vê o sol. Aquelas pessoas de cor leitosa faziam sua refeição ao ar livre, pondo os pratos na grama e achando aquilo o máximo. Queriam se bronzear, mas, na verdade, ficavam vermelhas como pimenta. Eu, habituada a comer sentada à mesa usando talheres, como minha mãe me ensinou, estava bem sem jeito, desconfortável mesmo, mas fiquei quieta. A comida era vegetariana, orgânica e muito gostosa.

I arrived at the Foundation reception, Melissa was contacted and took me for lunch. The day was bright now and everybody there go nuts when they see the sun. Those milky white people were eating out with the plates on the grass and having much fun on that. They wanted to get a suntan but they would turn pepper red instead. I was used to eat by the table, using cutlery as my mother had taught me, so it was kind of clumsy and uncomfortable, but I kept my mouth shut and ate the delicious vegetarian organic meal.

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